sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Dia 107

Hoje de manhã, uma descoberta macabra na pequena horta:
Desconheço se era desejado, mas a couve está inconsolável.
Fico muito afectado com isto e pretendo divulgar estas fotos na internet. São um testemunho das condições em que se vive no interior. Só preciso de um sinal estável que permita a transmissão de dados com segurança. Decido construir a minha própria antena, faço o melhor que posso, ainda que os materiais que tenha à mão sejam muito pobres.
Como a tecnologia ainda não existe, há um problema com a compatibilidade: os instrumentos actuais não estão preparados para reconhecer o meu sinal.
Depois de algumas modificações pinto-a de metalizado, aproximando-a mais dos padrões contemporâneos, e a seguir coloco-a no telhado.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Dia 106

O frio é intenso, tenho cada vez mais frio. Procuro aquecer-me utilizando uma técnica inovadora, com materiais modernos, mas sem esquecer as velhas tradições, e começo a esfregar acendalhas.
É necessário que preserve esta pequena chamazinha, que a proteja como a um bébé, dando-lhe delicados raminhos para se alimentar e crescer forte.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Dia 105


Conheço Moscato Santero, costuma estar a um canto do pátio, parece que tem habilidades especiais.
Já ouvi falar sobre ele e aproximo-me, é um tipo alto, magro como uma cana.
Moscato Santero não se lembra porque está aqui, nem há quanto tempo. Acho-o uma personagem curiosa. Com o tempo desenvolvemos uma espécie de amizade, se é que posso chamar-lhe isto, já que temos naturezas diferentes. Às vezes, para passar o tempo, costumamos imaginar-nos em grandes jogatanas de snooker.
Até que um dia, rebenta um escândalo:

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Dia 104

O local sem sinal de nada é bonito. Talvez por ser remoto.
Aprecio a beleza do canteiro, mas há algo inesperado: algumas plantas têm lepra.
Fujo desta confusão no pátio. São claramente guerras de gangs. Por enquanto não vou meter-me nisto, cheguei há pouco tempo e não tenho tatuagens, prefiro manter-me afastado, mas as leprosas já deram por mim. São em maior número, não há como evitá-las. Estão espalhadas por todo o lado. Para onde quer que vá não me largam, agora estou sob constante pressão.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Dia 103

Durante esta semana encontro-me num local sem sinal de nada.

Não há cabo, nem fibra, nem satélite. Procuro adaptar-me. 
Desloco-me uns passos para o lado, para onde existe, efectivamente, rede.
Assusta-me este domínio sobre a informática. Tenho receio de usá-lo para o mal.