Entro no Oculista do Feijó e dirijo-me a uma colaboradora. Escolho a que na
minha opinião apresenta uma postura corporal impecável, talvez seja recém
licenciada, não consigo perceber a esta distância. Suponho que está em inicio de
carreira e pretende progredir, com certeza procurará impressionar-me com as suas
competências profissionais, garantindo-me assim excelência no atendimento.
Puxo uma cadeira e sento-me. A seguir coloco o copo em cima da mesa.
Acho incrível a atitude da funcionária. É com este tipo de barreiras que se
deparam os empresários em Portugal. Então lá por ser um oculista, não tem uma
bata branca? Não é técnica? Será que julga que sou algum imbecil? Manifesto-lhe
a minha indignação, faço ver que considero inadmissível este serviço, que
realmente tenho dificuldade em qualificar, e que desejo registar a minha queixa
no livro de reclamações para enviar cópia ao Conselho Europeu de Optometria e
Óptica (ECOO), tão somente o organismo que os regula na europa.
Sou então encaminhado para a oficina, para um técnico de optometria. O
técnico olha para mim, a funcionária diz que sim com a cabeça.
Saio do oculista satisfeito com o resultado. As análises não detectam
absolutamente nada.
Chego a casa e dou início à produção. É fundamental manter os compostos
químicos no mais absoluto segredo, por isso vejo-me obrigado a trabalhar na
obscuridade da casa-de-banho.
As condições, enfim, não são as melhores. Porém estou determinado a conseguir 2 copos de água, já que vou precisar de stock. Ao fim de algum tempo, estão prontos.
Para já, devo apenas distribuir internamente.
Coloco um anúncio no OLX.
Fica em aprovação.
Estou preparado para meter água no mercado.
* É notável o que se pode fazer sem o apoio do estado para a criação de
negócio. Utilizando apenas engenho e os poucos recursos disponíveis, é possível,
ainda assim, surgir com um produto que inova pela sua simplicidade. Um exemplo
positivo para muitos desempregados que andam por aí a viver na casa dos pais e
com demasiado tempo entre mãos.