Sei que a bicicleta, por mais que negue, porque isto custa muito admitir, não
é consciente de si própria. Frente a um espelho, muitas vezes, pensa tratar-se
de outra bicicleta, e tenho de travá-la. Hoje, ao passear com ela pela brisa da
tarde, tento ensinar-lhe uns truques, coisas simples, nada de muito complicado,
ou racional.

Não obedece. Se calhar, não está a perceber. Pelo menos não fugiu para a
estrada, para o meio dos carros, obrigando-me a correr atrás dela. Para incentivar este comportamento, mostro-lhe o meu agrado, com palavras
de elogio e uma recompensa.