sexta-feira, 15 de março de 2013

Dia 135

O meu irmão está deitado no sofá, a arder em febre.

Como é evidente, a febre não faz isto. Parece fogo posto. O culpado não deve andar longe e deve ser alguém conhecido, talvez da casa, porque o meu irmão chegou há meia-hora. Uma breve investigação nos contentores das redondezas leva-me a uma descoberta importante: uma carteira de fósforos, com a cara do meu pai.
Mas não pode ser, não faz sentido. Não há nenhuma lógica nisto. Tudo não passa de um grande equívoco. 
É isso. Vou então abandonar tudo. Lamento a hora que vim enfiar-me nisto. 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Dia 134

De repente, apenas porque está lá escrito, um simples pin revela algo importante:
Esta evidência é tão natural, que a tendência é esquecê-la.
Mas a mensagem, vinda dentro de uma gaveta, desperta novamente esta consciência em mim.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Dia 133

Não consigo responder a ofertas no OLX, perco assim uma boa oportunidade de ir para França aplicar Pladur e Barramento.
Cortaram o acesso a este mail, por causa dos anúncios. É algo que não conseguem compreender.
E contudo, não foram assim tantos: vendo copo de água, vendo temperatura normal e vendo 235 erros de sistema, portanto, três anúncios, com bons produtos, que não foram devidamente entendidos, é verdade, uma vez que nenhum foi aprovado para publicação. Pensam que o negócio é vender o objecto em si, não percebem que são artigos conceptuais, que consistem numa ideia, e que não têm necessariamente de ter forma material.

Só acho exagerado não poder responder a anúncios. Não consigo publicar, ok, mas não poder responder é um pouco demais. Se pudessem cegar-me, para não consultar páginas...

Com o endereço barrado, não posso mais utilizá-lo no site. É inútil para mim. Por isso coloco-o à venda no OLX.  

terça-feira, 12 de março de 2013

Dia 132

Começo uma bola de elásticos, sem fins lucrativos.
O único propósito é obter prazer à medida que as camadas se sobrepõem.
Mas, quantos negócios não começam assim? Quantas fortunas não são iniciadas por projectos pessoais? Alguém honestamente pode afirmar como o mercado vai reagir? Nunca se sabe como o mercado vai reagir, já que primeiro é preciso o produto estar, efectivamente , no mercado. Coloco, pois então, o focus na qualidade, mantendo o processo sob um controle apertado.
O papel está a causar constrangimentos. Mas ainda agora comecei a adicionar camadas. Não deixo de compreender o desconforto, contudo é preciso manter a mão firme. Esta visão exige frieza, mesmo não querendo, pois nos negócios não há lugar a compadecimentos, e a construção de um império a partir de uma bola de elásticos sem fins lucrativos exige muitos sacrifícios.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Dia 131

Nunca pensei no futuro sem Ventil. E ainda hoje, ao projectar-me alguns anos, asseguro-me sempre que levo tabaco.

Não é que já não goste de Ventil, estive numa relação com Ventil durante 20 anos. Mesmo quando a crise chegou, quando era aconselhável reduzir, sacrifiquei-me por ter Ventil todos os dias, porque acho importante estar  presente nas minhas relações. Porém, o tabaco não parou de aumentar. E eu, ao ver que remava sozinho, desisti de lutar por nós. Claro que, se qualquer pessoa entrar numa tabacaria, dirigir-se à prateleira onde está exposto o Ventil, e perguntar a um maço se foi assim que as coisas se passaram, nenhum vai dizer isto.

Actualmente, estou com Winston: uma lata, com 70g de tabaco. É a minha primeira vez com latas de 70g de tabaco. Ainda não é uma relação perfeita, há pequenos problemas, questões relacionadas com alguma insegurança, que procuro resolver estimulando-a.

Contudo, sinto-me bem com Winston. Depois do Ventil não tive de procurar muito, o que para mim constituiu grande surpresa. Sobretudo, Winston compreende-me. Nunca levanta problemas com outras marcas, nem mesmo quando cheiro a outro tabaco, pois sabe que, no fim do dia, prefiro fumá-lo.