sexta-feira, 22 de março de 2013

Dia 142

Encontro na Wikipédia a seguinte definição para arte conceptual:
A ideia torna-se na máquina que origina a arte, ou seja, interessa então realçar a ideia, não o objecto em si.
Isto é muito interessante, pelo que  decido fazer uma tentativa.
É óbvio que não sou artista, tento apenas interpretar o conceito. Assim opto pela total ausência de material, elimino o artefacto, e coloco o focus unicamente na ideia. Ao fim de algum tempo tenho uma série de obras, que já não cabem na mesa.

Coloco-as então todas na parede do quarto. 
Sinto curiosidade em saber o que pensam os outros, se entendem a minha linguagem. A ideia de expor passa-me pela cabeça, não para o público em geral, claro, talvez só para os vizinhos. Coloco um cavalete à porta do prédio, com um cartaz a indicar: “Exposição no 3º piso”
Naturalmente, é conceptual. Trata-se da ideia de um cavalete com um cartaz. A conceptualidade nem sempre é fácil, também é preciso que as pessoas pensem. Mas não estou satisfeito com o cartaz, falta-lhe qualquer coisa, talvez o tema, por isso acrescento: “Relação entre Conceptual e Invisibilidade”
Pouco a pouco, movidas pela curiosidade, ou pela necessidade de cultura, as pessoas tocam-me à porta. E muito depressa, tenho o quarto cheio de gente, pelo menos é essa a minha ideia. 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Dia 141

Há um assunto muito grave, muito sério, e que, mais dia menos dia, preciso discutir com um profissional.
É sobre a pasta XXX, que encontro da seguinte forma:

Em D: entro na pasta ‘As Minhas Imagens XXX’
Depois em ‘Pasta de Contenção’
E finalmente:
Neste sub-nível, tão próximo da pasta, já é possível sentir a radiação. A toxicidade é elevada, e sobretudo por questões relacionadas com saúde, a exposição não deve ser superior a 30 minutos. 

quarta-feira, 20 de março de 2013

Dia 140

Não sou apenas eu, existe mais alguma coisa. Não sei o que é, mas está a consumir saldo.
É alguma coisa maligna, com certeza. Não faço a mínima ideia do que seja, pode ser qualquer coisa, mas que outra razão teria, além da maldade, para roubar-me dinheiro? Começo a percorrer hipóteses, verifico todas as autorizações, todos os acessos, todas as portas são abertas com muito cuidado.



terça-feira, 19 de março de 2013

Dia 139

É incrível como deixo fascinar-me por um simples copo de água...
É nestas alturas de aflição que se dá importância, que surge a lucidez: sou água, o meu corpo é água, sinto algo de mim no copo, como se parte de mim estivesse dentro do copo. E segurar na mão um copo que contém parte de mim, é um extraordinário privilégio.

Como é natural, se colocar a mão dentro do copo, parte de mim também está lá dentro.



segunda-feira, 18 de março de 2013

Dia 138

O projecto da bola de elásticos está de momento parado.

Às vezes é difícil saber que direcção tomar, as dúvidas para onde quero levar isto são muitas. Chego a ficar dias sem trabalhar, sem sequer pegar na bola, e o impasse causa alguma ansiedade nos elásticos que aguardam integração.


Agrada-me observar a vontade dos materiais, apesar de tudo. Acaba sempre por motivar-me. Infelizmente, passo por um momento de pouca convicção. E não ter convicção, é como não ter mãos, precisamente o que tento transmitir.