sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Dia 114

A minha mãe já está em casa. Correu tudo bem. Vai demorar duas semanas a recuperar, mas terá um futuro melhor.
Talvez inspirado por ela, começo a fazer uma lista de operações que ambiciono para mim.
Não será fácil concretizar cada um destes sonhos. Vai exigir muito esforço, muitas privações.
Sobretudo, terei que deixar muita coisa para trás. Por isso, começo já a treinar.













quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Dia 113

08h00: a minha mãe dá entrada na Clínica de Sto. António, na Amadora. Vai ser hoje operada ao nariz, para respirar melhor amanhã. Não é nada que já não tenha pensado para mim próprio, era um bom investimento no meu futuro. Enquanto esperamos que as assistentes chamem pela minha mãe, noto alguma apreensão no olhar dos meus pais.
Procuro transmitir-lhes alguma segurança, sobretudo à minha mãe. Digo-lhe que se trata de uma intervenção rotineira, como todas as cirurgias comporta o seu risco, claro, o que não falta são pessoas a morrer diariamente em operações consideradas simples, o que normalmente ocorre por erro médico, então na Amadora!, mas que tente animar-se. E para tranquilizá-la, mostro-lhe o seguinte:
11h30: estamos no 3º piso, no quarto onde a minha mãe vai ficar. O quarto agrada-me: tem duas camas, uma janela, telefone, TV e casa-de-banho. Não é nada que já não tenha pensado para mim próprio, era um bom investimento no meu futuro. Enquanto esperamos que ela se prepare olho para o meu pai, vejo-o muito calado, muito sério, mas também, são muitos anos juntos.
12h15: a minha mãe é levada para o bloco operatório numa maca.
A assistente que vem buscá-la é uma profissional experiente, treinada neste tipo de situações, sabe exactamente o que dizer.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Dia 112

Preciso de falar outra vez sobre a coxa. Continuo a não conhecer pessoalmente a coxa, mas pelo que percebo gosto dela. Não que goste de coxos em geral, embora também não tenha nada contra, mas como já reconheci no dia 43, esta coxa em particular, é alguém que de certa forma admiro. Porém a coxa continua a insistir que tenho de tirar O MEU CARRO do lugar DELA.
Não quero ter problemas com a coxa, como é evidente. A culpa não é da coxa por ter um lugar reservado. Eu se fosse coxo fazia o mesmo, porque não aproveitar a oportunidade? Mas, em boa consciência, não posso considerar um coxo deficiente, ainda mais esta coxa, pois já tive oportunidade de a observar de noite, debaixo de um tremendo temporal, e ainda assim passeava a cadela, coisa que um deficiente não faz, porque é preciso pesar bem a palavra. Mas de alguma forma, a coxa conseguiu este estatuto:
Como já expliquei, a coxa não é deficiente. Simplesmente é alguém que teve azar. A coxa teve azar. Eu próprio posso ter azar. Ninguém está livre de um azar. Com este pressuposto dirijo-me à junta de freguesia da minha zona, alegando que também eu sou azarado, e solicito os papéis necessários para um lugar reservado, o que me é imediatamente negado. Estou a perceber... como não entrei a coxear... Naturalmente, não posso deixar de mostrar-lhes o meu aborrecimento. 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Dia 111

Já estou mais animado. Depois de ontem mostrar a minha tristeza, hoje já tive 10 visitas.
A visão geral não mente:
Mais: ainda falta a entrada da minha mãe.

É verdade que hoje vim cá mais vezes, talvez umas oito, mas só para ver se havia visitas, porque gosto de receber bem as pessoas.
p.s – estou a receber vários mails de pessoas a reclamar que não disse o nome do blog, eu disse no dia 100, mas pronto, o endereço é: http://maisumesqueletozinho.blogspot.pt/

p.s2 – por favor alguém vá lá...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Dia 110

Não estou a ter visitas no blog. E isto preocupa-me. Não é o facto dos meses passarem, nem de estar com alguma falta de motivação, nem de tossir mais pela manhã; nem mesmo por sentir mais o frio, por demorar mais a recuperar de uma noitada ou de às vezes sangrar a fazer cócó.
O que realmente me preocupa é não ter entradas no blog - excepto as minhas, e as que obrigo a minha mãe fazer.
As estatísticas não mentem:
O melhor dia foi de 8 entradas: 5 minhas, 1 da minha mãe, e mais 2 minhas, mas por outros IP’s, para dar ideia que foram outras pessoas... 

Que tristeza...