sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Dia 37

Sexta-feira, outra vez.


Aconteceu alguma coisa aos chinelos durante a noite.
Não estão exactamente como os deixei, paralelos um ao outro, no sentido longitudinal do tapete.
O mais grave é que o chinelo direito apresenta-se de borco.

"chinelo, chinelo!" - digo em voz alta.

Nada. Não responde.
Não sinto pulso. Não me lembro se este modelo vem com pulso.
Não quero aborrecer os meus pais com este assunto. Sobretudo não quero que a minha mãe veja este espectáculo macabro.
É preciso resolver tudo antes que voltem da natação. Por isso, chamo o cavalo.
É fascinante ver o cavalo trabalhar. A sua mente já está a processar informação, a descobrir indicios, a isolar suspeitos.
E o principal suspeito, é o outro chinelo
O chinelo não fala. Os meus pais estão para chegar e o chinelo não fala.
Peço ao cavalo para suspender o interrogatório. Tenho de arrumar o quarto, não saberia como explicar.
Antes de colocá-lo no carrinho das bebidas, peço um relatório.
Que merda. Tanto trabalho para nada. O cavalo não quer assumir as suspeitas, o que até compreendo.
Nada existe de concreto. Nunca se saberá, apesar de tudo.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Dia 36

Quinta-feira - lá fora, um temporal...

Por muito que goste de estar nesta casa, não é minha. Não posso ficar aqui eternamente.
Isso mesmo faço saber aos meus pais.
Agradeço a oferta ao meu pai, mas prefiro arranjar lugar próprio. Bem sei que agora, durante o meu tempo de vida, não é a melhor altura para procurar casa própria. Porém estou determinado e ao fim de muitas horas de pesquisa, de muitas contas e de muitos cortes, encontro finalmente um imóvel no qual consigo pegar.

Está a precisar de algumas obras. Também é pequeno. Mas é só para mim e chega perfeitamente, é um começo, e há muitas pessoas que nem isto têm. De facto ainda é possível, mesmo face a circunstâncias muito adversas, com trabalho duro e seriedade, conquistarmos o nosso espaço.

Como é natural sinto enorme orgulho neste resultado, e não posso deixar de partilhar o entusiasmo com a minha mãe.
Coitadinha... adormeceu de felicidade!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Dia 35

Quarta-feira.


O novo portátil, em vez de uma solução, está a ser uma fonte de problemas. Passo a manhã toda em actualizações do windows, parado nos 12%, sem evoluir.

Decido assassinar o portátil e esconder o corpo. Cá está ele:
Depois arrependo-me, tenho bom coração.

Em vez de livrar-me dele atirando-o ao rio Tejo, entro na Worten e coloco o balde em cima do balcão. E quando  me perguntam o que é aquilo, digo: "é o portátil, está em safe mode"

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Dia 34

Terça-feira. Ainda ontem era segunda e depois de amanhã já é sexta novamente.
Os dias passam a correr.
Porém há qualquer coisa errada com o dia de hoje: está a passar depressa demais.
 
 Não parece natural, será algum fenómeno?
Levanto-me da cama e procuro os meus pais, para certificar-me que não é impressão minha.
Faz sentido, sim... o Benfica joga amanhã em Barcelona, e com menos um dia de descanso... mais uma vez o sistema solar a deturpar a verdade desportiva...
Depois disto vou deitar-me, para não trocar horários.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Dia 33

Segunda-feira.


A velocidade do novo portátil, o Windows 8, a navegação, as configurações, a migração do mail, tudo, mas tudo, MAS TUDO, é um verdadeiro pesadelo sem fim.
Ver uma criança com fome, por exemplo, causa-me menos aborrecimentos. Não é triste, isto?
Estou bastante arrependido de não ter arranjado o velho portátil. Bastava ter encomendado um écran para substituir o que se partiu, até podia aproveitar para mudar o disco, e comprava só um novo processador e uma boa placa de video e trocava o teclado. Pronto. Assim ando nisto há dias, perdido entre configurações e instalações e aplicações, e a única operação que realmente domino é a ligação à corrente.
Aqui há que reconhecer mérito à Microsoft, sem dúvida. O sistema é bastante intuitivo e o utilizador quase não sente diferença.

Nem tudo pode ser mau, afinal.