sexta-feira, 1 de março de 2013

Dia 121

Absolutamente por acaso, durante uma conversa casual, descubro o método do Sr. Octávio. Trata-se de um processo racional, que contém o conhecimento disposto numa ordem de progressão lógica. É bastante simples, por acaso. Desenho-o num papel, para que se torne mais evidente, porque a representação gráfica tem o seu peso.

O segmento representa problemas com gajas, em geral.
Portanto, seguindo o método, logo à partida dá-se 50% desconto.
Metade do problema está resolvido. Agora olha-se para a outra metade, efectivamente o problema real.
Este segmento, mais pequeno, é igualmente dividido, sabendo-se certo que, por defeito, existe 80% de chatice adquirida.
Resta porém um pequeno espaço, 10% – 20%, não mais que isto, e representa a margem de manobra.
É precisamente neste universo que se vai trabalhar.
Conforme a habilidade, pode-se conseguir manter os 20% de margem - mais ou menos.

Atenção que o objectivo não é ter razão. Isso é impossível. O único propósito do método é, naquele bocadinho, conseguir manobrar. 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Dia 120

Recebo este mail, enviado pela minha mãe:
Isto é precisamente o que temia: o malware espalhou-se, chegou às relações familiares e ameaça destruir os laços. Preciso livrar-me dele, o mais rápido possível. E mais uma vez, coloco um anúncio no OLX.
Claramente vai ter muita saída, trata-se de um excelente negócio. Faço notar que são 225 erros de sistema, por menos de 40 euros.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Dia 119

Os problemas começaram:

Não é nada que já não esperasse. Começa assim, sempre da mesma maneira - uma coisa pequena a alimentar-se de tudo à volta, um colossal monstro que cresce e ninguém controla. Porém não posso ter um colossal monstro que ninguém controla a crescer cá em casa, porque certamente terei de o registar na junta de freguesia, além de que não poderei sair à noite, por causa do barulho.

Assim, tudo o que aprendi no mundo e na vida, não chegam para resolver isto. Volto-me então para outras coisas, e peço ajuda a Nossa Senhora.

Não quero colocar nada em questão, mas preocupa-me o método de Nossa Senhora. Não tenho dúvidas quanto à eficácia, só que olho para ela e custa-me vê-la falar nestes modos.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Dia 118

Mais uma espécie de pudim, ou sopa, ou outra coisa qualquer, não faço ideia do que seja, que as vizinhas vieram trazer à minha mãe. Apresenta uma crosta, e ainda está morno.
Tenho sempre algum receio que ela coma estas coisas. Não é que desconfie das vizinhas, mas nunca sabemos ao certo a proveniência das vizinhas, e nada nos garante que elas não sejam cavalos.

Desta vez foi a vizinha de baixo, não digo o nome, pois não quero revelar quem é. Para proteger a sua privacidade, tiro-lhe apenas uma fotografia às escondidas.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Dia 117

Hoje preparo-me para ter uma conversa importante comigo próprio, algo que tenho evitado, por falta de tempo. Tento compensar este atraso com uma surpresa: pondero ir jantar fora, a um bom restaurante, pedir um bom vinho e ficar a noite toda a falar sozinho. Como é evidente, não estava à espera disto. É uma surpresa. Porém compreendo a intenção, e aceito, o que me deixa muito contente, pois mostra que ainda não perdi qualidades.
Passo o resto do dia com alguma ansiedade. Quando falta uma hora para o jantar, quando me preparo para ir tomar banho e depois sair, tocam à porta. Quem poderá ser, a esta hora? Não posso estar a atrasar-me. Espero que não seja ninguém inconveniente, por isso espreito antes de atender.
Não faço nenhuma ideia do que estou ali a fazer. O que será que quero, logo agora? 
Às vezes consigo ser bastante chato, não é nada com que não consiga viver, mas neste momento não tenho tempo.
Se abrir a porta o mais certo é perder horas comigo próprio, e não posso adiar o jantar, já tinha prometido a mim mesmo, se o fizer vou desiludir-me novamente, depois será muito difícil ganhar a minha confiança outra vez. Custa-me muito deixar-me pendurado à porta, mas decido não fazer barulho e fingir que não estou em casa, na esperança de desistir e ir-me embora. Mas não consigo enganar-me a mim próprio, naturalmente. Sei perfeitamente que estou em casa, apenas não quero abrir a porta. Uma coisa é certa: não vou ficar aqui fora como um cão, tenho o meu amor próprio! Por isso volto costas e começo a descer as escadas, porque não admito que ande a gozar comigo mesmo.