sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Dia 37

Sexta-feira, outra vez.


Aconteceu alguma coisa aos chinelos durante a noite.
Não estão exactamente como os deixei, paralelos um ao outro, no sentido longitudinal do tapete.
O mais grave é que o chinelo direito apresenta-se de borco.

"chinelo, chinelo!" - digo em voz alta.

Nada. Não responde.
Não sinto pulso. Não me lembro se este modelo vem com pulso.
Não quero aborrecer os meus pais com este assunto. Sobretudo não quero que a minha mãe veja este espectáculo macabro.
É preciso resolver tudo antes que voltem da natação. Por isso, chamo o cavalo.
É fascinante ver o cavalo trabalhar. A sua mente já está a processar informação, a descobrir indicios, a isolar suspeitos.
E o principal suspeito, é o outro chinelo
O chinelo não fala. Os meus pais estão para chegar e o chinelo não fala.
Peço ao cavalo para suspender o interrogatório. Tenho de arrumar o quarto, não saberia como explicar.
Antes de colocá-lo no carrinho das bebidas, peço um relatório.
Que merda. Tanto trabalho para nada. O cavalo não quer assumir as suspeitas, o que até compreendo.
Nada existe de concreto. Nunca se saberá, apesar de tudo.