Tudo no espaço de um mês. É pouco?
Não. Roubaram-me também o limpa para-brisas traseiro do carro. Foi ao pé da estação de Corroios, no dia em que resolvi poupar €1,60 e não meter o carro no parque. A mim ninguém me engana. Podiam ter levado mais um tampão das rodas, assim como assim também só já tenho um (todos roubados lá), mas não, só para chatear escolheram o limpa para-brisas.
Se pudesse escolher entre ficar com ele ou roubarem-no, escolhia ficar com ele. Mas se pudesse escolher entre ficar com ele, ou apanhar o ladrão a roubar-mo, escolhia apanhar o ladrão. Nem me importava de ficar sem a merda do limpa para-brisas, se pudesse apanhar o ladrão, e ele tivesse menos força que eu... há qualquer coisa em espancar alguém que alivia frustrações...
A minha mãe não gostou muito da novidade (ter-me cá). Já reparei que mal me fala, chama-me constantemente à atenção sobre qualquer coisa, está preocupada... Ainda por cima hoje de manhã aconteceu um incidente muito desagradável: quando entrei para a banheira vi uma toalha dobrada, e limpei-me a ela depois do banho. Afinal a toalha era da minha mãe, estava fresca e acabada de passar a ferro. Por si só, não é grave. Mas ontem fiz a mesma coisa com a toalha do meu pai, e agora estão as duas toalhas penduradas, limpas o suficiente para não justificarem uma lavagem, mas inutilizadas para eles. E nenhuma é minha.
Enquanto aqui estiver não quero causar estes constrangimentos, prefiro manter a discrição, ser arrumado, comer a horas, fumar menos, passar despercebido, se possível, ser invisível. E sair o mais depressa possível. Não é que não goste das condições, mas os meus pais merecem algum descanso...
Felizmente ainda tenho a minha saúde e duas mãos para trabalhar.

Felizmente ainda tenho a minha saúde e duas mãos para trabalhar.