segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Dia 75

Segunda-feira.

Já reparei várias vezes que, numa discussão mais acalorada, o desemprego é usado como arma de arremesso. É uma a pedra apontada à cabeça do desempregado, lançada não para matá-lo, mas para o desequilibrar, para o atirar ao chão, mantendo-o lá meio aturdido e com a moral ferida, como se aquele fosse o seu lugar natural. É um golpe baixo, sobretudo se a pessoa não procurou a situação. Mas é um argumento muito eficaz.
Não digo que a pessoa faz por mal: a pessoa não faz por mal. Mas é um tiro fácil, e está à mão.
É até natural que o atacante, depois de reflectir um bocado, sinta-se mal.
Isto contudo não invalida a injustiça do ataque. O mal está feito. A consequência está lá: o sentimento de vergonha, que não se deveria ter. E o desempregado, sujeito a mais pressão, tenta por todos os meios inverter a realidade.