Na sexta-feira vou-me embora para o estrangeiro. Vou tentar a minha sorte lá fora. Nos primeiros dois meses fico em casa de amigos, vão mostrar-me a cidade e ajudar-me na organização. E assim que estiver inscrito no fundo de desemprego, e a receber da segurança social, instalo-me num apartamento e começo à procura de trabalho em Portugal. É de facto o melhor que tenho a fazer. Um amigo que esteve na Alemanha vários anos desempregado, disse-me que lá o subsidio de desemprego é dos mais altos da europa. Há a questão de estar longe de casa, mas...
Assim porque não hei-de viver um bocadinho melhor, enquanto não encontro
nada por cá? Outra vantagem é enriquecer-me o currículo, porque já estive lá
fora desempregado. Parece não fazer sentido, mas faz todo o sentido. Vou dar um
exemplo: dois candidatos a um emprego, com as mesmas habilitações, ambos há um
ano sem trabalho, quem escolherá o empregador?
Parece evidente que a escolha cairá sobre o candidato que esteve
desempregado lá fora. Pela sua mentalidade. É uma pessoa viajada, alguém que já
viu outros horizontes, que tem experiência de outras culturas, alguém que, ainda
assim, não conseguiu arranjar trabalho, e que agora está disposto a qualquer
coisa para sobreviver. Estas pessoas são mais-valias para qualquer empresa.