quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Dia 112

Preciso de falar outra vez sobre a coxa. Continuo a não conhecer pessoalmente a coxa, mas pelo que percebo gosto dela. Não que goste de coxos em geral, embora também não tenha nada contra, mas como já reconheci no dia 43, esta coxa em particular, é alguém que de certa forma admiro. Porém a coxa continua a insistir que tenho de tirar O MEU CARRO do lugar DELA.
Não quero ter problemas com a coxa, como é evidente. A culpa não é da coxa por ter um lugar reservado. Eu se fosse coxo fazia o mesmo, porque não aproveitar a oportunidade? Mas, em boa consciência, não posso considerar um coxo deficiente, ainda mais esta coxa, pois já tive oportunidade de a observar de noite, debaixo de um tremendo temporal, e ainda assim passeava a cadela, coisa que um deficiente não faz, porque é preciso pesar bem a palavra. Mas de alguma forma, a coxa conseguiu este estatuto:
Como já expliquei, a coxa não é deficiente. Simplesmente é alguém que teve azar. A coxa teve azar. Eu próprio posso ter azar. Ninguém está livre de um azar. Com este pressuposto dirijo-me à junta de freguesia da minha zona, alegando que também eu sou azarado, e solicito os papéis necessários para um lugar reservado, o que me é imediatamente negado. Estou a perceber... como não entrei a coxear... Naturalmente, não posso deixar de mostrar-lhes o meu aborrecimento.