quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Dia 113

08h00: a minha mãe dá entrada na Clínica de Sto. António, na Amadora. Vai ser hoje operada ao nariz, para respirar melhor amanhã. Não é nada que já não tenha pensado para mim próprio, era um bom investimento no meu futuro. Enquanto esperamos que as assistentes chamem pela minha mãe, noto alguma apreensão no olhar dos meus pais.
Procuro transmitir-lhes alguma segurança, sobretudo à minha mãe. Digo-lhe que se trata de uma intervenção rotineira, como todas as cirurgias comporta o seu risco, claro, o que não falta são pessoas a morrer diariamente em operações consideradas simples, o que normalmente ocorre por erro médico, então na Amadora!, mas que tente animar-se. E para tranquilizá-la, mostro-lhe o seguinte:
11h30: estamos no 3º piso, no quarto onde a minha mãe vai ficar. O quarto agrada-me: tem duas camas, uma janela, telefone, TV e casa-de-banho. Não é nada que já não tenha pensado para mim próprio, era um bom investimento no meu futuro. Enquanto esperamos que ela se prepare olho para o meu pai, vejo-o muito calado, muito sério, mas também, são muitos anos juntos.
12h15: a minha mãe é levada para o bloco operatório numa maca.
A assistente que vem buscá-la é uma profissional experiente, treinada neste tipo de situações, sabe exactamente o que dizer.