Procuro transmitir-lhes alguma segurança, sobretudo à minha mãe. Digo-lhe que se trata de uma intervenção rotineira, como todas as cirurgias comporta o seu risco, claro, o que não falta são pessoas a morrer diariamente em operações consideradas simples, o que normalmente ocorre por erro médico, então na Amadora!, mas que tente animar-se. E para tranquilizá-la, mostro-lhe o seguinte:

11h30: estamos no 3º piso, no quarto onde a minha mãe vai ficar. O quarto
agrada-me: tem duas camas, uma janela, telefone, TV e casa-de-banho. Não é nada
que já não tenha pensado para mim próprio, era um bom investimento no meu
futuro. Enquanto esperamos que ela se prepare olho para o meu pai, vejo-o muito
calado, muito sério, mas também, são muitos anos juntos.

12h15: a minha mãe é levada para o bloco operatório numa maca.
A assistente que vem buscá-la é uma profissional experiente, treinada neste
tipo de situações, sabe exactamente o que dizer.

