Não faço ideia de onde provém, nem há quando tempo anda comigo. Como é evidente, trata-se de uma senha refugiada. Não quero simplesmente deitá-la fora, como se a simples posse de uma senha inválida não trouxesse qualquer mais valia à minha vida. Não se tratam assim senhas refugiadas, ninguém nasce uma senha refugiada. Por conseguinte, estou na disposição de continuar a dar-lhe abrigo, pelo menos até as coisas melhorarem.
A senha parece portuguesa. Contudo, as senhas refugiadas costumam enganar.
Muito provavelmente é cubana, talvez seja uma dessas que chegam de barco, dentro
de contentores. Durante a noite, ao levar-lhe comida, experimento um pouco de
espanhol.