sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia 128

Ao colocar a mão no bolso do casaco, à procura de conforto, encontro uma senha que desconhecia carregar:

Não faço ideia de onde provém, nem há quando tempo anda comigo. Como é evidente, trata-se de uma senha refugiada. Não quero simplesmente deitá-la fora, como se a simples posse de uma senha inválida não trouxesse qualquer mais valia à minha vida. Não se tratam assim senhas refugiadas, ninguém nasce uma senha refugiada. Por conseguinte, estou na disposição de continuar a dar-lhe abrigo, pelo menos até as coisas melhorarem.

A senha parece portuguesa. Contudo, as senhas refugiadas costumam enganar. Muito provavelmente é cubana, talvez seja uma dessas que chegam de barco, dentro de contentores. Durante a noite, ao levar-lhe comida, experimento um pouco de espanhol.