quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Dia 14

14 de Novembro, greve geral.

E agora? O que fazer nestes dias? Que medidas tem a segurança social previstas para quem não trabalha?
Procuro uma resposta no manual, afinal ele está aqui para apoiar-me.

Não diz nada. Só fala de emprego e trabalho. Não existe uma única referência a greves gerais ou qualqueroutro tipo de paralisação, o que é bem revelador da política social que está a ser aplicada.

Pelo que consigo perceber, a iniciativa está a afectar principalmente os transportes públicos – aliás, basta olhar pela janela. Desde manhã cedo que não passa uma única composição do metro sul do tejo.

Por outro lado, o metro também não passa nesta rua. Para ver o metro passar tenho de ir para o outro lado da casa, para a varanda da sala. Se porventura o metro aqui passasse, seria com certeza uma composição alternativa. Porém não está previsto que esta rua leve carris, logo os alternativos também não podem passar, logo não há alternativos. Não há dúvida, a CGTP deu-lhe forte.

Contudo, não sei como agir. Não tenho procedimentos. O que fazer em caso de greve geral? Deste modo faço o que me parece mais lógico: pego na mochila, visto o colete reflector e dirijo-me para a saída de emergência mais próxima.
Sou  único a descer as escadas, os meus pais não quiseram vir. Também não vejo mais ninguém do prédio a descer as escadas, por isso não sei bem para onde ir. Quando chego à rua decido dirigir-me à escola, que fica do outro lado, e que pela lógica é uma boa para referência como ponto de encontro.

Chego à escola, mas não vejo ninguém. É muito estranho.
Há um papel qualquer no portão, por isso aproximo-me.
Parece que há greve geral. A escola está fechada. Assim é evidente que as pessoas não vão sair dos prédios e dirigir-se para aqui, o que explica porque o local está deserto. Ainda assim, não posso deixar de sentir-me deslocado. Tenho vontade de tirar o colete. Por precaução, decido mantê-lo. Mas passo o resto do dia na rua, simplesmente não sei que fazer.

Ao fim da tarde, o meu pai chama-me do céu.
Afinal, não se passou nada. Não fiz nada, não vi ninguém.
Foi um dia perdido.