terça-feira, 13 de novembro de 2012

Dia 13

Terça-feira.

De manhã, uma carta da segurança social.
Abro o envelope.
É a comunicação da duração, e montante diário, atribuído ao meu subsidio – tal como a senhora do IEFP me informou que ia receber.

Sinto-me ansioso, tenho medo de continuar a ler. Mas como é evidente, preciso saber o que está lá escrito. Assim resolvo utilizar uma técnica de relaxamento que venho a aperfeiçoar há 40 anos.
12h04m

13h23m

13h24m
A técnica falha. Ainda não está totalmente refinada. Enquanto não resolver o problema da sobrevivência, o exercício não resulta. Desta forma nunca relaxo. Mas o tempo que ali passo é importante, já não é a primeira vez que noto que, por si só, o facto de sair debaixo da cama para ir comer enche-me de felicidade!

E depois de almoçar, leio a carta.
Duração: 675 dias
Montante diário: €17,62
Montante diário a partir do 181º dia: €15,85

Não é muito. Mas há muitas pessoas a trabalhar e a receber menos, e muitas famílias com filhos a receber menos. Tenho obrigação de poupar, até de colocar algum de lado. No futuro, posso precisar. Por exemplo: se amanhã vier a trabalhar, ao menos tenho dinheiro de parte. Assim posso aguentar-me durante algum tempo. Nestas coisas é preciso ter cabeça. É muito fácil cair no deslumbramento.