Afinal o que se passa com o outro mosquito? Não vê que estou só a limpar?
Será incapaz de concluir que não fui eu que matei o mosquito, que sou incapaz de
fazer mal a um mosquito? A minha mãe lembra-se de fazer limpeza nestes lugares,
mas eu desconhecia existir vida no tecto e de repente sou apanhado nesta
realidade. Por conseguinte, tento acalmar o mosquito. Digo-lhe para não se
enervar, que não tenho culpa, que estava de facto a limpar o interior do
caixilho quando reparei no mosquito, mas que este já estava morto, e que
sobretudo não quis ser desrespeitoso, pois também não gostaria, se por acaso os
meus familiares andassem a voar perto das lâmpadas, que alguém os esmagasse
contra o tecto. 
O mosquito não percebeu o que eu disse. Agora ameaça com queixa no
tribunal.
A minha mãe ouve tudo.
Não tenho medo de ir a tribunal, mas sei que ela fica preocupada. Tento
explicar-lhe que é apenas um mosquito, que nada temos a temer da justiça dos
mosquitos, que nada disto faz sentido, e que, além do mais, ela é que me pediu
para limpar o casquilho, precisamente por causa dos mosquitos.

Por fim lá convenço o mosquito que nada tenho a ver com aquilo. Esclareço
que não passo de um contínuo, e apenas tratava da limpeza.
Depois prontifico-me a enterrar dignamente o corpo, num lugar bonito.