quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Dia 71

Quinta-feira, quase fora de horas.

Pela primeira vez na minha vida, deixo passar a hora da apresentação quinzenal. E como hoje é o último dia, sou obrigado a ir ao IEFP de Almada.

Como sempre faço, dirijo-me ao segurança e peço uma senha verde.
E o segurança, como sempre faz, atira uma senha verde para cima da mesa.
Não é tanto não receber a senha na mão, não ter o trabalho de pegar nela. Sobretudo é a forma como a senha é atirada. É deselegante. Mas até hoje nunca disse nada, sou muito sensível e pode ser apenas impressão minha, não há necessidade de causar mau estar por mal entendidos. Só que hoje já venho aborrecido, deixei passar a hora da apresentação. E agora chego aqui e ainda tenho de ir buscar a senha à mesa.
A pergunta é maldosa e pensada para confundir. Sei perfeitamente que não andámos juntos na escola. Conheço todos os meus colegas de escola, se porventura esquecesse algum não seria ele, não temos sequer a mesma idade, seria impossível termos andado juntos na escola.  Só de olhar para ele vejo que isto nem lhe passa pela cabeça. Se calhar nem deve ter percebido a pergunta.
Não percebe a pergunta... tal como eu imaginava. É evidente que não percebe a pergunta. Porque eu enganei-me a fazer a pergunta. De facto “andámos juntos na escola, ó cara de caralho?!”, aplica-se apenas em situações de abuso de confiança. Por exemplo: se ele me tratasse por tu. Porém, não receber a senha na mão, é apenas uma indelicadeza. E realmente a pergunta não faz sentido. É uma situação muito embaraçosa. De repente, vejo-me numa posição em que devo explicar-me.