segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Dia 96

Segunda-feira.

E pronto, como diz Eminem em Lose Yourself: “snap back to reality”.
É surpreendente constatar que durante toda a viagem só existiu um único momento de pânico, dois momentos de pânico, ambos no regresso de Amsterdão para Lisboa, no aeroporto de Schipol. O primeiro foi enquanto tirava fotografias a mim próprio, normalmente faço-o à chegada, mas esqueci-me. Por isso decido fazê-lo à saída, com um sorriso, daqui a alguns meses já não sei onde tirei a fotografia, mas parece que estou a chegar a qualquer lado.
E enquanto vejo se fiquei bem, de repente, lembro-me: onde está o meu iPad? O iPad 2 Wi-Fi 16GB, que ainda agora tinha comigo? Não se trata apenas de uma peça de avançada tecnologia, com a qual não sei trabalhar bem, e que me é particularmente útil em meia dúzia de funções muito específicas, o iPad é sobretudo uma prenda dos meus amigos, mas o iPad não está comigo, porque o iPad ficou na zona de fumadores, e depois de fumar já estive na casa de banho, a cagar com calma, apenas sou específico porque pretendo dar uma ideia do tempo que já passou, e eu para aqui a tirar fotografias!

Por isso volto a correr, ao longo dos tapetes rolantes, em direcção à zona de fumadores.
E quando chego à zona de fumadores, e em ânsia abro a porta da sala, lá está ele, no mesmo local: intocável, puro.
Nos últimos anos não me lembro de tamanha onda de felicidade. Foi muito emocional.
E quando olho em volta, para certificar-me que ninguém me vê dar-lhe um beijo, de repente, lembro-me: onde está a mala? O mala que o meu irmão me emprestou, que ainda agora tinha comigo? Não se trata apenas da mala dele, com toda a minha roupa lá dentro, é sobretudo um objecto ao qual me afeiçoei, talvez por estar longe de casa, agora tenho carinho pela mala, mas a mala não está comigo, porque a mala ficou perto das portas de embarque, sozinha, largada onde estava a tirar fotografias, e eu para aqui a beijar o iPad!

Por isso volto a correr, ao longo dos tapetes rolantes, em direcção às portas de embarque.
E quando chego perto das portas de embarque, lá está ela, como uma noiva, à espera que me aproxime e lhe dê a mão.
Nos últimos anos não me lembro de tamanha onda de felicidade. Foi muito emocional.