quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Dia 98

Quarta-feira.

Faltam-me fotografias da viagem. Não tirei muitas, e não encontrar algumas deixa-me aborrecido.
Das que tirei no interior do Tate Modern, por exemplo, só tenho esta:
É arte moderna. Não temos cá disto. A peça chama-se O Movimento de um Objecto, de Marysa Dowling, e consiste no seguinte: um cidadão é convidado a escolher um cenário e a criar uma pose usando um objecto do dia-a-dia, neste caso um saco de plástico azul. É tudo. Claramente é arte moderna, feita talvez no dia anterior à tarde. É difícil existir mais moderno. E de facto, à medida que caminhamos pelo corredor e observamos diferentes poses com o saco, torna-se evidente que o projecto de Marysa Dowling traça como os cidadãos se movem e comunicam, explorando a cidade através das pessoas que usam o objecto – só alguém que não percebe nada de arte moderna é que não vê isto. 

Gosto tanto que em casa replico o projecto. Chamo-lhe: O Movimento de um Objecto na Casa dos Meus Pais. Para o efeito, também utilizo um objecto do dia-a-dia - um saco de plástico, pois de momento não recordo nenhum outro objecto do dia-a-dia que possa usar em projectos de arte moderna. No trabalho procuro explorar a necessidade fundamental de nos representar-mos a nós próprios na vida quotidiana, e a forma como cada fotografia joga com esse desejo.

O Movimento de um Objecto na Casa dos Meus Pais

1 – Algo se desfaz na forma como a minha mãe sente as coisas.
2 – O meu pai: a forma como vive as áreas que habita.
3 – A minha interacção com os outros.
É arte moderna. Não temos cá disto.