Faltam-me fotografias da viagem. Não tirei muitas, e não encontrar algumas deixa-me aborrecido.
É arte moderna. Não temos cá disto. A peça chama-se O Movimento de um
Objecto, de Marysa Dowling, e consiste no seguinte: um cidadão é convidado
a escolher um cenário e a criar uma pose usando um objecto do dia-a-dia, neste
caso um saco de plástico azul. É tudo. Claramente é arte moderna, feita talvez
no dia anterior à tarde. É difícil existir mais moderno. E de facto, à medida
que caminhamos pelo corredor e observamos diferentes poses com o saco, torna-se
evidente que o projecto de Marysa Dowling traça como os cidadãos se movem e
comunicam, explorando a cidade através das pessoas que usam o objecto – só
alguém que não percebe nada de arte moderna é que não vê isto.
Gosto tanto que em casa replico o projecto. Chamo-lhe: O Movimento de
um Objecto na Casa dos Meus Pais. Para o efeito, também utilizo um objecto
do dia-a-dia - um saco de plástico, pois de momento não recordo nenhum outro
objecto do dia-a-dia que possa usar em projectos de arte moderna. No trabalho
procuro explorar a necessidade fundamental de nos representar-mos a nós próprios
na vida quotidiana, e a forma como cada fotografia joga com esse desejo.
O Movimento de um Objecto na Casa dos Meus
Pais
É arte moderna. Não temos cá disto.