terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Dia 97

Terça-feira.

Ao fim da tarde, um par de namorados lá fora.
Olha que bonito. Que inveja. Quem me dera ter uma pressão de ar: gostava de mostrar-lhes que, quando tudo parece bem, do nada, podem vir chumbadas. Naturalmente é preciso que os jovens sejam inteligentes e entendam as chumbadas figurativamente, como se os projécteis fossem coisas como a obsessão, os ciúmes, o ego, a necessidade de controlar, que muitas vezes numa relação o alvo somos nós, e que o parceiro pode disparar à queima-roupa.

Mas como é evidente o tiro não pode ser dado nesta posição. Denunciar-me-ia.
O ideal é ao nível do chão, através de uma brecha do cortinado, a coberto da semi-obscuridade do quarto.
Para que tenham um futuro melhor. Os tiros são para que tenham um futuro melhor.
É preciso que os jovens compreendam isto.