sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Dia 23

Sexta-feira, dia 23 sem trabalho.

Compro o Correio da Manhã na papelaria aqui em frente. Depois sento-me num banco a ver as gordas.
Não vejo nenhuma gorda na praça. É preciso ter azar. Normalmente isto está apinhado de gordas, por vezes nem é possível andar por aqui. Torna-se perigoso. Nesses dias fico de longe, a observá-las pelos binóculos dentro de um jipe. Mas por alguma razão hoje está practicamente deserto.

De volta ao jornal.
Como sempre faço, começo por conferir a referência do meu exemplar.
Dizem que dá boa sorte. Mas se é assim, porque continuo a não ver gordas na praça?
Ando na varanda de um lado para o outro, preocupado com a capicua.
Peço ao meu pai para registar o momento em contra-luz.
Não fica em contra-luz perfeita. Não era isto que esperava, não me agrada.
E como não estou satisfeito com o resultado, procuro que o meu pai compreenda a minha visão.
É evidente que o meu pai não está a 100% neste projecto. É sempre difícil trabalhar com a família.
Naturalmente, dispenso-o: “reajustamentos”, digo-lhe.

Tento eu próprio capturar o instante como o imaginei. Como a máquina não tem temporizador, preciso resolver o problema do tempo que demoro entre o disparo e a colocar-me em posição na varanda. Muita rapidamente, traço um plano em 3 passos:

1 – Disparar a máquina
2 – Colocar a máquina de lado
3 – Correr muito depressa para a varanda, antes que a luz seja capturada

Isto não é fácil de conseguir; faço várias tentativas.
A melhor de todas é esta:
Realmente é uma pena não dominar as técnicas de edição de imagem.