Segunda-feira: um dia lixado, depois de Domingo.
Quem não trabalha também sente esta agonia. Para mim chega a ser algo
físico, um peso no peito mal acordo.
Afinal é apenas a televisão. Agora adormeço com a televisão na cama. É uma
companhia. Naturalmente não podemos ter relações, nem sequer sexo oral, nem
mesmo só ao sábado, por isso também não crio nenhuma expectativa. As coisas
estão bem assim, nunca discutimos. Pelo menos neste campo tenho sido feliz.
Saio cedo das finanças, último dia para liquidar o IUC de 2008: vinte e
oito euros, mais €15,00 de multa a ser enviada em 20 dias.
Não é nada que já não esperasse. Acham que estou a brincar com o trabalho
deles.
Volto a colocar o anúncio, e acrescento uma nota.
Mas, à medida que escrevo, perco a convicção. E desisto, sem submeter
novamente o pedido.
O episódio deixa-me deprimido. É uma migalha, bem sei.
Mal tenho força para chegar à varanda, onde lamento o mundo e a vida.
Não reparo que é o amor-perfeito e arrependo-me logo do desabafo. O
amor-perfeito, é preciso conhecê-lo. Gosto dele porque é inconveniente, mas hoje
não tenho paciência. Hoje é apenas chato...