Na caixa de correio, uma mensagem.
É de um velho amigo meu. Tem uma grande experiência de vida, gosto muito
dele.
Infelizmente, não domina a informática.
Diz-me ele que acompanha os meus dias, e que conclui que a minha vida no
geral continua “bastante precária, senão inexistente”, que cada mail denota
qualquer coisa de “desalento e falta de garra”, que algumas brincadeiras “até
chegam a rondar o ridículo”
e que devo procurar refazer a minha vida “sem perder tempo”.
Como é evidente, está preocupado. É um amigo e está preocupado.
Tento imaginá-lo a dizer-me isto, e não evito sorrir. Tenho vontade de
dar-lhe um abraço! (e um beijo na boca, só para deixá-lo fodido)
Ainda assim, porque é big friend, fico a pensar nas palavras dele.
Na resposta, procuro tranquilizá-lo: não estás a pintar um quadro muito negro? não há outra maneira de olhar para as coisas?
E no fim digo-lhe que estamos a precisar os dois... de outra bebedeira em Cacilhas.
| Fotografia no restaurante ‘O Cacilheiro’, acompanhados por duas prostitutas. |
Ainda assim, porque é big friend, fico a pensar nas palavras dele.