Durante a manhã faço uma descoberta importante:
Tenho os bolsos dos casacos cheios de saúde. Não se trata apenas de um casaco, mas de todos os casacos. Tiro-os do armário e coloco-os em cima da cama.
Sei que não fui eu, porque nunca ando com saúde nos bolsos. Existe claramente dedo da minha mãe nisto. Nos últimos anos tem vindo a desenvolver um estilo de vida saudável, ao qual nada tenho a opor, mas eu não sigo modas, nem gosto que mexam na minha roupa.
Agarro num par de casacos e vou ter com ela.
Procuro informação nas etiquetas, nem uma referência sobre saúde. E agora?
Que contentor?
Não devia estar aqui parado com o saco na mão. É muito perigoso.
Não é compreensível: os pontos deviam estar devidamente identificados,
mesmo para o tipo de conteúdo que carrego.
Saio de lá alterado e bato com a porta. Com os nervos esqueço-me de dizer
qual é o problema.
Mas ainda tenho o saco na mão, e não estou disposto a passear com ele.
Só mesmo em Portugal, com este sistema.