quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Dia 22

Quinta-feira.

Durante a manhã faço uma descoberta importante:

Tenho os bolsos dos casacos cheios de saúde. Não se trata apenas de um casaco, mas de todos os casacos. Tiro-os do armário e coloco-os em cima da cama.

















Sei que não fui eu, porque nunca ando com saúde nos bolsos. Existe claramente dedo da minha mãe nisto. Nos últimos anos tem vindo a desenvolver um estilo de vida saudável, ao qual nada tenho a opor, mas eu não sigo modas, nem gosto que mexam na minha roupa.

Agarro num par de casacos e vou ter com ela.







Preciso livrar-me da saúde o mais depressa possível. Coloco tudo num saco e vou atirá-lo fora.
É um desperdício deitar saúde à rua, bem sei, mas não posso correr riscos.
Procuro informação nas etiquetas, nem uma referência sobre saúde. E agora? Que contentor?
Não devia estar aqui parado com o saco na mão. É muito perigoso.

Não é compreensível: os pontos deviam estar devidamente identificados, mesmo para o tipo de conteúdo que carrego.

Dirijo-me à junta de freguesia do Laranjeiro e faço notar o meu desagrado.
 Saio de lá alterado e bato com a porta. Com os nervos esqueço-me de dizer qual é o problema.
Mas ainda tenho o saco na mão, e não estou disposto a passear com ele.

Deixo-o no lugar mais óbvio: à porta do centro de saúde do Laranjeiro.
 Só mesmo em Portugal, com este sistema.